Palavras finais

PARA finalizar, quero desculpar-me junto ao leitor, por
ousado dizer, em to poucas pginas, tantas coisas   novas  e
de compreenso difcil. Estou pronto a receber sua crtica  porque considero que todo aquele que, afastando-
se do  caminho comum, se dispuser a abrir trilhas prprias, tem o dever  de comunicar  sociedade tudo quanto 
encontrou em suas viagens de explorao: se foi gua fresca para o alvio dos sedentos, ou apenas os 
desertos de areia do equvoco estril. O  primeiro    serve para ajudar, o segundo, para prevenir. Mas  a crtica 
particular de cada um dos contemporneos, nos tempos vindouros, que vo decidir se  verdade, ou no, t 
isso que acaba de ser descoberto. Existem coisas  que ainda no : 
so verdade, ou que hoje ainda no podem ser aceitas  como verdade, mas amanh talvez possam s-lo. Quem 
for assim conduzido pelo destino, ter que trilhar esses  caminhos prprios, apenas apoiado pela esperana e 
pelo olhar   atento daquele que est consciente do seu isolamento e dos  abismos que o ameaam. O que 
singulariza o caminho aqui  descrito  em grande parte a certeza de no podermos continuar r recorrendo  
unicamente ao ponto de vista cientfico-intelectual, mas de que o nosso compromisso tambm compreende 
todo o lado do sentimento, isto , a totalidade das realidades contidas na alma  j que lidamos com uma 
psicologia fundada na vida real e que age sobre a vida real. Nesta psicologia prtica, no se trata da alma 
humana universal, mas de homens e  mulheres individualizados, cada qual com uma variedade de  problemas 
que os afligem diretamente. Uma psicologia que satisfaz  unicamente ao intelecto, jamais  praticvel; pois o 
intelecto por si s nunca ser capaz de abranger a totalidade da alma.  Quer queiramos, quer no, mais cedo ou 
mais tarde o fator  cosmoviso ter que ser levado em conta, porque a alma est em busca da expresso de sua 
totalidade. 
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